Cúpula dá o caminho para a eletricidade limpa
O aproveitamento do potencial da energia geotérmica e reatores nucleares avançados, que queimam dejetos nucleares, poderia ser parte de um plano mais amplo para criar um sistema de eletricidade de baixo carbono até 2030, concluiu um grupo de cientistas, especialistas em política e jovens líderes ambientais.
Divulgado em 9 de junho, o comunicado da Cúpula Equinox ('Equinox Summit’), ocorrida em Waterloo, no Canadá, endossa a energia geotérmica, insumos renováveis e energia nuclear avançada, enquanto clama por baterias e tecnologias de rede que ajudem a descarbonizar o uso urbano da eletricidade.
O documento também enfatiza o papel de novas células solares orgânicas flexíveis e mais leves, para trazer a 'primeira luz’ a quase 2,5 bilhões de pessoas atualmente sem acesso a eletricidade.
“Nós focamos no que a ciência e a tecnologia podem fazer para ajudar a reiniciar esse debate, sobre como descarbonizar o sistema de energia global”, diz o conselheiro de ciências da cúpula, Jatin Nathwani que é diretor executivo do Instituto para Energia Sustentável na Universidade de Waterloo.
Patrocinada pela Iniciativa de Ciência Global de Waterloo ('Waterloo Global Science Initiative’), uma parceria entre a Universidade de Waterloo e o Perimeter Institute for Theoretical Physics, também sediado em Waterloo, a cúpula foi desenvolvida para reunir cientistas e jovens que estejam trabalhando no assunto, com conselheiros que poderiam mapear o terreno das políticas de padronização. Depois das apresentações iniciais sobre ciência e tecnologia, os 36 participantes dividiram-se em grupos, em reuniões para avaliar as varias tecnologias e desenvolver uma lista de prioridades.
Faíscas brilhantes Jason Blackstock, um especialista em atmosfera e energia no Centro para Administração e Inovação Internacionais ('Center for International Governance and Innovation’) em Waterloo, que ajudou a organizar a cúpula, diz que o mapa de tecnologia produzido na cúpula apresenta alguns 'caminhos exemplares’, mas não tem a intenção de englobar tudo: “Isso é sobre demonstrar como a ciência e as políticas de procedimentos e protocolos podem fundir-se para gerar e faiscar ideias.” Blackstock diz que a meta é usar os relacionamentos formados na conferência para forçar essas ideias nos próximos meses.
Jay Apt, um dos participantes da cúpula e diretor executivo do Centro da Indústria da Eletricidade na Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, diz que foi interessante assistir à interação de pessoas com históricos diferentes. “O melhor resultado pode ser uma estrutura de pessoas que sabem como pensar sobre esses assuntos”, diz ele.
“Foi um exercício muito bom tentar reunir cientistas e não-especialistas”, diz Yacine Kadi, físico do CERN, laboratório europeu de física de partículas sediado em Genebra, na Suíça. “O retorno foi bem grande”.
Kadi deu a ideia de reatores nucleares movidos por aceleradores, abastecidos com tório – elemento abundante encontrado na areia – e dejetos nucleares, uma antiga ideia pela qual se vem lutado para conseguir impulso. Segundo ele, além de fornecer uma alternativa ao urânio e plutônio, assim reduzindo as preocupações com a proliferação, esses reatores iriam parar quando o acelerador de partículas fosse desligado, em referência aos questionamentos sobre segurança que vêm crescendo depois do desastre de Fukushima, no Japão.